E mestre Tião
Pretinho Aleijado.
Com mil e oitocentos bois
Eu sai de rancharia
Na praça de Três Lagoas
Cheguei no morrer do dia
O sino de uma igrejinha
Numa estranha melodia
Anunciava tristemente
A hora da Ave Maria
Eu entrei igreja a dentro
Pra fazer minha oração
Assisti um ato triste
Que cortou meu coração
Um petrinho aleijado
Somente com uma das mãos
Puxava a corda do Sino
Cantando triste canção
Aaaai aai
Aquela alma feliz
Era um espelho a muita gente
Que tendo tudo no mundo
Da vida vive discrente
Meu negro coração
Tranformou-se derepente
Ao terminar minha prece
Era um homem diferente
Noutro dia com a boiada
saí de madrugadinha
Muitas léguas de distância
Esta noite se alivia
Um malvado desordeiro
Assaltou a igrejinha
E matou o aleijadinho
Pra roubar tudo o que tinha
Aaaaai aai
O sino de Três lagoas
Vivia silênciado
E eu com meu parabelo
andava atrás do malvado
Ví um povo assustado
Diz que o sino à meia -noite
Sozinho tinha tocado
Quando entrei na igrejinha
Uma voz pra mim falou:
Jogue fora esta arma
Não se torne um pecador
Tirar a vida de um Cristão
Compete a nosso Senhor
Conheci a voz do pretinho
O meu ódio se acabou
Aaaaai aaai
Espaço de crítica, análise e observações do cotidiano
Monday, August 28, 2006
Postado por
Wander Mendes
às
1:47 PM
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